5 de agosto de 2012

Uma nota

Muitas das críticas que eu li sobre a Marcha das Vadias afirmavam que ela era ineficaz. Não importava quantas pessoas saíssem nas ruas com seus cartazes, nada iria mudar. Falavam que a premissa era válida, mas a execução, do nome à veiculação, era equivocada. Que as pessoas não entenderiam do que se tratava. Que não teria efeito nenhum. Que estupradores não iriam parar de estuprar, ou agressores de agredir. E outras coisas nessa linha. Repare que todas essas críticas podem ser (e são), com algumas variações, aplicadas ao feminismo como um todo.


Eu não entendo o que essas pessoas acham que a Marcha tinha como objetivo e expectativa. Eu não entendo o que as pessoas acham que o feminismo tem como objetivo e expectativa.

Esse blog é meu, e tudo aqui é minha opinião. Não me sinto muito apta a falar por mais ninguém. Logo, não falo por todos que organizam e participam de manifestações e/ou do movimento. A minha posição é a seguinte: Eu não faço nada esperando uma grande mudança em retorno. No que se refere às minhas expectativas, elas são realmente baixas. Tenho esse blog mas não pretendo ser nenhuma intelectual feminista. Fiz e distribuo um zine sobre feminismo e das 200 cópias que estão por aí, se metade for lida e metade da metade fizer alguém considerar o que eu escrevi, já vai ser além do esperado. Eu participei da Marcha e se algumas das pessoas que passaram por ela ou ficaram sabendo dela refletirem sobre o porquê da sua existência, já é um bom resultado. Se o que eu faço pode ser considerado militância, eu digo que se no final, depois de tudo que eu fiz, a vida de uma pessoa mudar para melhor, já terá sido válido.

O que as pessoas que levantam todas essas críticas não percebem é que o próprio fato delas estarem criticando já é um resultado positivo. Que fazer as pessoas questionarem, e ainda mais fazer várias, é também uma conquista – talvez a maior delas. E até onde eu sei, ninguém tem como saber como todos os cidadãos do mundo foram atingidos por um protesto, ou por uma reclamação no Facebook de uma empresa. Não dá para saber se nada muda ou mudará mesmo. Por isso é importante falar sobre o que se considera errado, e continuar falando, e falar sempre. Porque ter liberdade é isso. Porque você nunca sabe quando alguém vai acabar te ouvindo.