24 de junho de 2013

Conceitos básicos para o manifestante iniciante

Você chegou até aqui – eu não sei como, ou por que, mas você chegou até aqui. Você tem acompanhado os acontecimentos das últimas semanas, está se envolvendo e se importando com eles, e tem ouvido diversas pessoas falando sobre diversos assuntos de diversas maneiras, umas conflitantes com as outras. Talvez você tenha se sentido perdido no meio de tanta informação, sem saber direito o que fazer ou o que pensar, porque convenhamos, todo mundo está um pouco assim.  Muitas pessoas estão dizendo que “o Brasil acordou”, porque agora elas começaram a se manifestar e participar de discussões com um viés mais político, o que é ótimo, realmente, é maravilhoso. E também é bastante confuso. 
Esse texto é para você, que ao mesmo tempo em que se sente, de alguma forma, uma pessoa melhor por estar discutindo temas importantes para o país, também não conhece muito a fundo os temas e termos que são abordados nessas discussões. Ele todo exprime uma opinião pessoal, eu não sou nenhuma especialista, e eu tenho uma visão parcial, porque (informação importante!) eu sou de esquerda. Não feche a janela agora, veja só: pelo menos eu estou declarando isso e te avisando de antemão! E já que eu abordei isso, vamos começar falando sobre essas posições: 

Esquerda x Direita
O que é a esquerda, o que é a direita? Qual é boa, qual é má, qual é a certa? Antes de tudo, elas são posições – elas falam, no geral, sobre como você tende a se colocar e acreditar no que tange questões políticas. Não quer dizer que você concorde com tudo de uma ou de outra, nem que elas sejam exatamente opostas, porque você pode ter algumas visões de esquerda, outras de direita, e isso é bastante normal. Mas você provavelmente vai se alinhar mais com uma ou com outra – para referências, alguns testes ajudam a falar para você como as posições que você defende te classificam no espectro político.
Nesse ponto, eu não posso te falar qual é melhor ou qual é a correta. Eu já disse que eu sou de esquerda, mas acredito seriamente que você TEM que pegar um tempinho e ir ler sobre uma e sobre outra, para conhecer melhor. Não fique com o que você ouviu falar (de parentes, professores, ou da mídia), e permita-se alguma flexibilidade para refletir e questionar algumas coisas. Se você quer mesmo se inteirar de política, você vai ter que fazer isso, não tem jeito.
Muita gente diz que no Brasil não tem esquerda e direita, o que é no mínimo estranho: obviamente, as pessoas não acreditam todas nas mesmas coisas. Muita gente diz que a esquerda ou a direita é ruim, e é a causa de todos os males do país, o que também é muito bizarro (aliás, se você for levar alguma coisa desse texto, leve isso: nada é totalmente bom, ou ruim, principalmente na política). Muita gente fala que a esquerda não existe, outros falam que todo mundo no Brasil é de esquerda, e a única verdade que você pode tirar disso é que, bom, não existe consenso nenhum – e desconfie de quem disser que existe.

O que são e o que querem os Partidos Políticos?
Basicamente, são grupos de pessoas que possuem visões em comum, e buscam defender essas visões – principalmente elegendo candidatos desse partido para ocupar cargos públicos, mas não é só isso. A ideia é que um partido seja a ligação entre a sociedade e o governo, defendendo junto a ele o que as pessoas que o apoiam desejam – a questão toda é que é muito mais fácil fazer isso através de um grupo organizado, com representantes e tudo, do que fazer sozinho. Não vou entrar no mérito de como nossos partidos atuam, sejam eles o PT, o PSDB, o PSOL ou o PSTU, mas a filosofia por trás deles é essa, e as pessoas tem o direito de escolherem um, não escolherem nenhum, defenderem ou criticarem todos.
Nas manifestações que tivemos nos últimos dias muita gente tentou impedir a participação de partidos, o que é estranho uma vez que eles são grupos de pessoas que defendem algo, inclusive podendo defender o que se estava manifestando. Existe uma diferença entre ser apartidário, ou seja, não se alinhar nem participar de nenhum partido; e ser antipartidário, que é ser contra eles e não permitir que eles participem de algo, que foi o que ocorreu. Muitas pessoas foram para cima de grupos com bandeiras ou camisetas de partidos de esquerda, o que vai contra nossa forma de governo, a democracia. Eu vou falar mais dela no próximo tópico, mas terminando esse aqui, fica o apelo: não seja a pessoa que tenta rasgar uma bandeira com os dentes, por mais que você, por algum motivo, não goste daquele partido. Você não precisa gostar, e tem todo o direito de criticar e condenar, mas é sua obrigação, ainda mais em manifestações políticas, tolerar.

Democracia
Continuando, ninguém pode impor, ou querer que tudo seja somente como ela acha que deve ser, porque isso vai totalmente contra nossa forma definida de governo, a democracia. Na democracia, defende-se que é do povo o direito de tomar decisões, e ele pode fazer isso de várias formas, principalmente, mas não somente através do voto. Ela também defende os direitos das minorias, a liberdade (incluindo a liberdade de expressão!), e a obrigação da população em participar da vida política. Principalmente, a democracia é o total oposto da ditadura, onde as pessoas tem muita liberdade para apoiar, mas nenhuma para se opor ao governo.
Apesar de nos últimos dias algumas (ok, infelizmente várias) pessoas aparecerem defendendo outras configurações – e eu estou falando de gente que apoia da ditadura – a democracia ainda é a melhor forma de se operar um país, porque é onde todo mundo tem o livre direito de criticar, condenar ou querer mudar algo. Nenhuma das manifestações que tivemos nesses últimos dias seria possível se não tivéssemos um estado democrático, porque bom, ninguém poderia ser contra ou criticar nada sem ser prontamente condenado ou silenciado. Antes de defendermos nossa posição política ou nosso partido, é nossa obrigação defendermos a liberdade para todo mundo defender o que quiser – e isso vai além de não gostar do PT ou ter ressalvas quanto ao governo da Dilma. Querendo ou não, eles estão lá por decisão da maioria, de forma democrática!

A vontade de estar certo
Bom, esse texto ficou bem maior do que eu esperava, mas antes de terminá-lo eu queria falar sobre mais uma coisa. Eu entendo, sério, entendo mesmo, a vontade que todos nós temos de estarmos certos. A vontade de ganhar uma discussão, a de falar algo e saber que esse algo é o algo certo, no meio de tantos “algos” errados, a vontade de nossa posição ser a correta e ser melhor do que as outras. Fazer o que, é o ego humano, e mesmo os maiores líderes, os mais progressistas, os que mais defendem os direitos de todos, também caem nessa de quererem estar certos. Mas a verdade é que, bom, nem sempre nós estamos. Escrevendo tudo isso, na vontade de ajudar e explicar algumas coisas para você, eu também devo ter errado e falado algumas, ou várias, besteiras. E por mais que eu queira estar certa, e ganhar uma estrelinha por estar certa, eu vou aprender mais e ganhar mais com cada coisa que me mostrarem que eu estava errada. 
Na situação em que estamos atualmente, muitos meios e muitas pessoas estão falando sobre as certezas delas, o que não é errado – só fica errado quando as pessoas não ouvem outras opiniões, ou tentam ir contra elas. Eu resumi bastante alguns conceitos básicos aqui, mas tem um mundo de textos e vídeos que você deveria ler, para saber cada vez mais, e até para ficar cada vez mais certo. Mas qualquer um desses textos – inclusive esse aqui! – leia com atenção, tentando manter-se aberto para reavaliar suas próprias posições, e sempre, sempre questione aquilo que o autor disse. Pense nos motivos que ele pode ter para te dizer aquilo, e procure opiniões diferentes das dele, para então chegar à sua própria conclusão.

Esse texto faz parte da Blogagem Coletiva pela Democracia, e eu recomendo a leitura dos outros textos que também estão participando. Por fim, fico aqui aberta para dúvidas e críticas – e que continuemos todos em defesa de nossas pautas, e acima de tudo, dos ideais democráticos!

8 de março de 2013

E o dia da mulher, parte II

Nesse último ano o meu feminismo mudou. Às vezes eu sinto como se ele fosse algo que eu tivesse superado, algo que veio e passou, mas não é isso - eu nunca parei de me definir como feminista, ou de concordar com o que o movimento defende, ou de participar de listas de discussão, e ler sobre o assunto diariamente. Eu continuo discordando de tudo que acho errado, continuo falando sobre isso, e escrevendo, mas é como se esse tempo que passou tivesse arrefecido minha paixão inicial.

Ano passado eu criei esse blog para compartilhar o que eu pensava e descobria no meu feminismo. Criei e distribui um zine, sugeri e participei de um grupo de intervenções no espaço urbano, fui na marcha das vadias. Ano passado eu lia teoria feminista, mandava emails para a SPM, entrava em ações de repúdio contra propagandas e declarações sexistas. Meu post do ano passado sobre o dia internacional das mulheres tem um tom inflamado, e eu lembro de ter passado o dia falando para todo mundo sobre o absurdo da redução da data a flores e bombons, explicando qual era o verdadeiro significado de se ter um dia da mulher.

E estamos aqui, um ano depois, e eu não encontro traços dessa revolta toda. Hoje eu vou compartilhar os textos interessantes que eu ler, discutir o assunto com quem vier abordá-lo comigo, agradecer eventuais parabéns e simplesmente deletar os emails que forem chegando. Mais tarde, na aula do meu professor sexista, vou ficar irritada com os comentários equivocados que eu sei que ele vai fazer, mas é mais provável que eu simplesmente faça uma expressão de desagrado e fique quieta, e se responder, o faça com calma. Enquanto ano passado eu provavelmente rosnaria para ele - quer dizer, eu fiz isso em diversas ocasiões, com diversas pessoas.

Em uma dessas respostas ríspidas e mal educadas que eu distribuí ano passado, a réplica que eu ouvi da minha irmã foi que se eu realmente estivesse convicta do meu feminismo, eu não precisaria ficar bradando e me afirmando para todo mundo. Eu ainda não concordo totalmente com ela, mas o sentimento que eu tenho hoje é que meu feminismo realmente amadureceu, passou a fazer mais parte de mim, e talvez por isso eu já não faço tudo que eu fazia. Por saber mais sobre o assunto do que eu sabia antes, ser mais convicta das minhas posições e mais ciente dos pontos onde eu ainda sou ignorante e preconceituosa, eu talvez não precise mais reafirmá-los para todo mundo, o tempo todo.

Ou então eu simplesmente perdi minha inspiração revolucionária, suprimida pelas preocupações com o trabalho, o último semestre da faculdade, as viagens que eu quero fazer, minha dieta. A Bruna que passou na Kalunga e saiu com uma caneta Sharpie achando que ia mudar o mundo agora está ocupada pensando na monografia e em como ganhar mais dinheiro - o que é uma perda, talvez?

Hoje, em um dia que marca a luta e a reivindicação, eu fico pensando se essa minha nova atitude é uma melhoria ou uma regressão.

10 de fevereiro de 2013

Cassandra e Pandora


Cassandra e Pandora eram, antes de tudo, duas mulheres. Se seus nomes ficaram marcados nas páginas da história – mesmo que nas da mitologia – definitivamente não fora porque elas pediram por isso. Talvez devessem sentir-se lisonjeadas por ocuparem um espaço em meio a tantas outras pessoas, tantas outras tragédias, talvez devessem sertir-se vaidosas por terem seus nomes lembrados tantos anos após suas vidas terminarem.

Elas não se sentiam.

Cassandra e Pandora foram vítimas da luxúria dos homens. Amaldiçoadas pela superioridade e inconveniente humanidade dos deuses. Pandora fora a primeira, predecessora dos infortúnios que seguiriam tantas daquelas iguais a ela.  Não havia pedido por nada, não havia decidido nada. Somente fora, somente existira, somente ganhara dons que ela não havia solicitado e permitira-se um único segundo de falha, um lapso pelo qual não só ela como toda a humanidade pagariam. O erro de Pandora foi ter sido desejada, foi ter sido inescrupulosamente usada. Não era justo o erro de alguém ser na verdade o dos outros, mas nada naquele mundo era muito justo.

Cassandra, ao contrário, não nascera em circunstâncias não usuais. Cassandra até determinado momento tivera a vida normal de uma princesa usual, tivera sua liberdade para cometer algumas imprudências, para agir como se em algum momento sua beleza não fosse acabar sendo a causa de sua queda. A queda de Cassandra fora de certo modo gentil, até doce, no início. Viera também no disfarce de um presente, na irrecusável forma de dom e de conhecimento. 

Cassandra, em sua inocência da qual ela posteriormente se arrependeria, sentira-se de certa forma especial por ter sido escolhida por um deus. Fora somente quando a escolha dele se revelou como o que realmente era que Cassandra entendeu que aquele não era um mundo onde alguém na sua condição receberia algo sem haver um motivo maior escondido. Mas então ela já estava devidamente condenada, devidamente destinada a sofrer uma vida de infortúnios pelo único motivo de ter nascido mulher, ter nascido bela e ter nascido sem o poder de ter qualquer voz sobre as decisões dos homens.

Pandora e Cassandra encontraram-se após uma longa vida de penitência por crimes que não haviam escolhido cometer. Uniram-se e conversaram não sobre suas tragédias pessoais, mas em uma tentativa de entender o universo em que estavam. Sentaram-se e falaram longe do ouvido dos outros, longe da censura daqueles que tinham alguma voz sobre o curso dos acontecimentos e do julgamento dos que se sujeitavam a eles. Discutiram primeiro com base no que haviam conseguido assimilar de suas curtas experiências até aquele momento, compartilhando pensamentos até então guardados nelas mesmas, pensamentos que nunca haviam sido transmitidos a ninguém mais. Então pararam de discutir fatos e passaram a discutir hipóteses, sentimentos e impressões que nem mesmos elas já haviam tomado conhecimento.

Não chegaram a nenhuma resposta satisfatória, nenhuma grande conclusão, nada que pudesse trazer qualquer conforto ou ser classificado como grande esclarecimento. Mas encontraram um certo alívio ao saberem que não estavam sozinhas, ao descobrirem uma a outra, conhecerem alguém que entendia como elas se sentiam, pelo o que tinham passado, alguém que compartilhava seu destino.

Poderia ser o suficiente, mas não era.

(Não era porque Cassandra não precisava prever o futuro para saber por quanto tempo o mundo continuaria funcionando daquele modo, por quantos anos outras pessoas continuariam sendo negadas o direito de falar o que pensavam, agir da maneira que achavam correta e não serem julgadas por isso. Pandora nem ao menos sabia se chegaria o momento em que alguém não seria classificado de acordo com seu nascimento ou não seria imposto uma vida pela qual nada havia feito para merecer.) 

25 de janeiro de 2013

Disney Junior - Where the magic begins

Eu gostaria de dizer que estou falando do Disney Junior porque é o canal do maior conglomerado de mídia do mundo cujo conteúdo é voltado aos estágios iniciais da criação de jovens mentes, se configurando assim como um importante tópico de observação das mensagens sendo veiculadas a elas, mas a verdade é que eu acabei de passar um mês na casa da minha irmã, onde o Disney Junior é assistido praticamente 24/7 pelo meu sobrinho de 3 anos e minha sobrinha de 10 meses, e os programas (e principalmente as músicas) não saem da minha cabeça. Tanto que eu me peguei refletindo sobre eles, e analisando a programação assistida pelo o que eu acredito uma grande parte das crianças de classe média e alta, com acesso a televisão a cabo. 
Meu primeiro contato se deu com minha irmã cantando a música tema do canal, "I wanna go". Deus sabe como esse negócio gruda, ao ponto de você se pegar cantando "where the magic begins" mentalmente nos momentos mais diversos do dia. Logo depois, fui apresentada ao "Choo-Choo Soul", outra música grudenta. Porque música pouca é bobagem, eu ainda ouviria o tema da Sofia the First antes de ver de verdade algum desenho animado. E já começando pela polêmica dela, vamos falar sobre os desenhos em si ♥

Sofia the First
O promo da nova série passava tanto, mas tanto nos intervalos do canal que eu já estava ansiosa para ver um episódio. Inclusive, quando finalmente calhou de passar um, eu tive que insistir para assistir um pedaço, porque o Miguel queria que eu brincasse com ele e o navio do Jake and the Never Land Pirates (vide abaixo). Além do trecho estridente do "I'm so excited to beeeee... Sofia the First!" e dos cinco minutos que eu consegui acompanhar, o que eu sei do desenho foi a polêmica que ele causou. 
Bom, o que a Disney declaradamente quer passar com a Sofia é uma nova imagem das princesas, o que eu acredito e sonho que se deve a novas demandas nas mensagens que a sociedade quer para meninas pequenas. O feminismo critica abertamente a figura da princesa clássica, cujo valor está somente na sua beleza, que é totalmente passiva e tem uma vida restrita a encontrar um príncipe. A Disney fala que a Sofia "[...]will wear plenty of pretty dresses and sparkly shoes, but the stories will focus on the idea that what makes a real princess is what's on the inside. The series will highlight character qualities such as kindness, generosity, loyalty, honesty and grace". Ou seja, a ideia é que ela seja uma princesa que não seja julgada pela beleza nem tenha foco no romance, além de ser uma criança e a primeira princesa a ter a mesma idade que o público alvo. Dificilmente é uma resposta perfeita, e a Sofia está longe de ser uma   série feminista, mas já é alguma coisa?
Ainda nesse tópico, a Disney passa nos comerciais um vídeo muito bonitinho sobre a imagem da princesa, esse sim bem mais feminista e direto ao ponto, ao meu ver. Vale até colocar aqui (e tem também outra versão igualmente bonitinha):

Handy Manny
Tivemos a polêmica sobre a Sofia ser latina*, e independente da conclusão que a pessoa chegue sobre a questão, a verdade é que a quantidade de latinos na Disney é, ao meu ver, irrisória. Acredito que o Handy Manny é o único confirmado e em destaque. Quem é o Manny? Ele é mexicano e... Prestador de serviços. O que ele faz, o que o diferencia, é que ele conserta coisas. E fala algumas palavras em espanhol. Estereótipos, por que não? 
Creio eu que a mensagem que ele quer passar é a de trabalho em equipe e respeito a talentos individuais, mas Little Einsteins faz isso até melhor, e é bem mais legal. Ele contribui para diversidade, apresenta coisas novas, ensina frases básicas de outro idioma e aparentemente tem uma fanbase considerável. Eu acho chato e estereotipado, mas sabe, é uma visão pessoal (apesar de o Miguel concordar ao ponto de ir fazer qualquer outra coisa quando o Handy Manny começa).

Jake and the Never Land Pirates
É Never Land, e não Neverland, mas o Peter Pan já apareceu. E tem o Captain Hook. Eu acho confuso, mas quem liga, e a verdade é que o Jake, a Izzy, o Cubby, o Skully e o Bucky são adoráveis. O desenho é legal, meu sobrinho brincando com o Bucky dele e fazendo-de-conta que é pirata é mais legal e mais adorável ainda. Os personagens principais são homens, mas tem a Izzy e a Marina, e elas são fortes e inteligentes. Sem contar que o Jake tem um carisma absurdo. Além do bônus de te dar a possibilidade de fazer referências e cantar músicas de piratas para uma criança de três anos. Ah, e toca rock! Não, eu não tenho nenhuma observação relevante, feminista ou social para fazer sobre o Jake. Eu só gosto. Mas eu gosto ainda mais do...

Special Agent Oso
A unique stuffed bear. He's oh-so special! Novamente, nada de social ou relevante para observar. Mas é muito bonitinho, ensina criancinhas a fazerem tarefas básicas usando three special steps em uma música muito, muito cativante (mesmo - ouça e seja condenado). 

Little Einsteins
Arte e música clássica, casting multi-cultural, cada um tem uma habilidade única e necessária para solucionar o problema do episódio, música tema que antes mesmo de você perceber já decorou e está cantando. É interativo, pede para as crianças se mexerem para ajudarem os personagens. O único que compete em "pedir para fazer algo" é o Mickey Mouse Clubhouse, que praticamente faz as crianças de escravas, coitadinhas. Eu nem quero falar sobre ele, porque acho muito estereótipo de gênero e particularmente nunca fui muito fã do Mickey. Convenhamos, o post inteiro é praticamente para falar dela, a adorável...

Doc McStuffins
Ela é uma menina negra, o sonho dela é ser médica, a mãe dela é médica, o pai dela cuida da casa e dos filhos. Ela tem uma clínica para brinquedos, e os brinquedos dela são os mais variados possível - dragões e carrinhos e cavaleiros. Ela dá conselhos de saúde, e tem uma música muito fofinha, "I feel better". Minha sobrinha adora, é de longe a favorita dela. E isso me dá toda uma esperança dela crescer com a referência de uma família moderna e diferente, e uma garota com objetivos profissionais que requerem estudo e dedicação. A Doc é a heroína do próprio desenho, é fofa e adorável, e ainda ensina crianças a não terem medo de médicos e de consultas e tudo mais. 

A verdade é que, quando eu pensei em assistir televisão nos Estados Unidos, minha ideia inicial era ver ao vivo fenômenos que eu só leio comentários na internet - Snooki, Honey Boo Boo, Kardashians. Terminou que eu virei quase-especialista (não sei se alguém fora da Disney terá tantos conhecimentos quanto minha irmã) em programas educativos para crianças. E no final, o balanço realmente foi favorável. Definitivamente conceitos que não existiam na minha época. Talvez, dada a influência da mídia nas crianças, essa geração realmente tenha uma mente mais aberta a diversidades, e mais tolerante - vai saber, a minha geração foi a da Mulan e nem estamos tão mal assim?

*Eu estou a par da questão relativa ao uso dos termos "latino" e "hispânico". Eu estou usando latino, que pelo o que eu entendi é o mais aceito/preferido, mas posso estar errada e peço desculpas se acabar ofendendo alguém.