25 de janeiro de 2013

Disney Junior - Where the magic begins

Eu gostaria de dizer que estou falando do Disney Junior porque é o canal do maior conglomerado de mídia do mundo cujo conteúdo é voltado aos estágios iniciais da criação de jovens mentes, se configurando assim como um importante tópico de observação das mensagens sendo veiculadas a elas, mas a verdade é que eu acabei de passar um mês na casa da minha irmã, onde o Disney Junior é assistido praticamente 24/7 pelo meu sobrinho de 3 anos e minha sobrinha de 10 meses, e os programas (e principalmente as músicas) não saem da minha cabeça. Tanto que eu me peguei refletindo sobre eles, e analisando a programação assistida pelo o que eu acredito uma grande parte das crianças de classe média e alta, com acesso a televisão a cabo. 
Meu primeiro contato se deu com minha irmã cantando a música tema do canal, "I wanna go". Deus sabe como esse negócio gruda, ao ponto de você se pegar cantando "where the magic begins" mentalmente nos momentos mais diversos do dia. Logo depois, fui apresentada ao "Choo-Choo Soul", outra música grudenta. Porque música pouca é bobagem, eu ainda ouviria o tema da Sofia the First antes de ver de verdade algum desenho animado. E já começando pela polêmica dela, vamos falar sobre os desenhos em si ♥

Sofia the First
O promo da nova série passava tanto, mas tanto nos intervalos do canal que eu já estava ansiosa para ver um episódio. Inclusive, quando finalmente calhou de passar um, eu tive que insistir para assistir um pedaço, porque o Miguel queria que eu brincasse com ele e o navio do Jake and the Never Land Pirates (vide abaixo). Além do trecho estridente do "I'm so excited to beeeee... Sofia the First!" e dos cinco minutos que eu consegui acompanhar, o que eu sei do desenho foi a polêmica que ele causou. 
Bom, o que a Disney declaradamente quer passar com a Sofia é uma nova imagem das princesas, o que eu acredito e sonho que se deve a novas demandas nas mensagens que a sociedade quer para meninas pequenas. O feminismo critica abertamente a figura da princesa clássica, cujo valor está somente na sua beleza, que é totalmente passiva e tem uma vida restrita a encontrar um príncipe. A Disney fala que a Sofia "[...]will wear plenty of pretty dresses and sparkly shoes, but the stories will focus on the idea that what makes a real princess is what's on the inside. The series will highlight character qualities such as kindness, generosity, loyalty, honesty and grace". Ou seja, a ideia é que ela seja uma princesa que não seja julgada pela beleza nem tenha foco no romance, além de ser uma criança e a primeira princesa a ter a mesma idade que o público alvo. Dificilmente é uma resposta perfeita, e a Sofia está longe de ser uma   série feminista, mas já é alguma coisa?
Ainda nesse tópico, a Disney passa nos comerciais um vídeo muito bonitinho sobre a imagem da princesa, esse sim bem mais feminista e direto ao ponto, ao meu ver. Vale até colocar aqui (e tem também outra versão igualmente bonitinha):

Handy Manny
Tivemos a polêmica sobre a Sofia ser latina*, e independente da conclusão que a pessoa chegue sobre a questão, a verdade é que a quantidade de latinos na Disney é, ao meu ver, irrisória. Acredito que o Handy Manny é o único confirmado e em destaque. Quem é o Manny? Ele é mexicano e... Prestador de serviços. O que ele faz, o que o diferencia, é que ele conserta coisas. E fala algumas palavras em espanhol. Estereótipos, por que não? 
Creio eu que a mensagem que ele quer passar é a de trabalho em equipe e respeito a talentos individuais, mas Little Einsteins faz isso até melhor, e é bem mais legal. Ele contribui para diversidade, apresenta coisas novas, ensina frases básicas de outro idioma e aparentemente tem uma fanbase considerável. Eu acho chato e estereotipado, mas sabe, é uma visão pessoal (apesar de o Miguel concordar ao ponto de ir fazer qualquer outra coisa quando o Handy Manny começa).

Jake and the Never Land Pirates
É Never Land, e não Neverland, mas o Peter Pan já apareceu. E tem o Captain Hook. Eu acho confuso, mas quem liga, e a verdade é que o Jake, a Izzy, o Cubby, o Skully e o Bucky são adoráveis. O desenho é legal, meu sobrinho brincando com o Bucky dele e fazendo-de-conta que é pirata é mais legal e mais adorável ainda. Os personagens principais são homens, mas tem a Izzy e a Marina, e elas são fortes e inteligentes. Sem contar que o Jake tem um carisma absurdo. Além do bônus de te dar a possibilidade de fazer referências e cantar músicas de piratas para uma criança de três anos. Ah, e toca rock! Não, eu não tenho nenhuma observação relevante, feminista ou social para fazer sobre o Jake. Eu só gosto. Mas eu gosto ainda mais do...

Special Agent Oso
A unique stuffed bear. He's oh-so special! Novamente, nada de social ou relevante para observar. Mas é muito bonitinho, ensina criancinhas a fazerem tarefas básicas usando three special steps em uma música muito, muito cativante (mesmo - ouça e seja condenado). 

Little Einsteins
Arte e música clássica, casting multi-cultural, cada um tem uma habilidade única e necessária para solucionar o problema do episódio, música tema que antes mesmo de você perceber já decorou e está cantando. É interativo, pede para as crianças se mexerem para ajudarem os personagens. O único que compete em "pedir para fazer algo" é o Mickey Mouse Clubhouse, que praticamente faz as crianças de escravas, coitadinhas. Eu nem quero falar sobre ele, porque acho muito estereótipo de gênero e particularmente nunca fui muito fã do Mickey. Convenhamos, o post inteiro é praticamente para falar dela, a adorável...

Doc McStuffins
Ela é uma menina negra, o sonho dela é ser médica, a mãe dela é médica, o pai dela cuida da casa e dos filhos. Ela tem uma clínica para brinquedos, e os brinquedos dela são os mais variados possível - dragões e carrinhos e cavaleiros. Ela dá conselhos de saúde, e tem uma música muito fofinha, "I feel better". Minha sobrinha adora, é de longe a favorita dela. E isso me dá toda uma esperança dela crescer com a referência de uma família moderna e diferente, e uma garota com objetivos profissionais que requerem estudo e dedicação. A Doc é a heroína do próprio desenho, é fofa e adorável, e ainda ensina crianças a não terem medo de médicos e de consultas e tudo mais. 

A verdade é que, quando eu pensei em assistir televisão nos Estados Unidos, minha ideia inicial era ver ao vivo fenômenos que eu só leio comentários na internet - Snooki, Honey Boo Boo, Kardashians. Terminou que eu virei quase-especialista (não sei se alguém fora da Disney terá tantos conhecimentos quanto minha irmã) em programas educativos para crianças. E no final, o balanço realmente foi favorável. Definitivamente conceitos que não existiam na minha época. Talvez, dada a influência da mídia nas crianças, essa geração realmente tenha uma mente mais aberta a diversidades, e mais tolerante - vai saber, a minha geração foi a da Mulan e nem estamos tão mal assim?

*Eu estou a par da questão relativa ao uso dos termos "latino" e "hispânico". Eu estou usando latino, que pelo o que eu entendi é o mais aceito/preferido, mas posso estar errada e peço desculpas se acabar ofendendo alguém.